Refrigeração

Retrofit ao R-22

O universo da refrigeração viveu décadas de monotonia, onde o R-22 e R-12 resolviam quase todos problemas, deixando alguma participação de mercado para a Amônia em aplicações de grande porte e o R-502 para aplicações de baixas temperaturas.

Em 1987 surge o protocolo de Montreal, onde estudos anteriores a essa data apontam os fluídos CFC e HCFC como vilões pela degradação da camada de ozônio na nossa estratosfera e estudos também sugerem que são responsáveis pelo aumento do efeito estufa em nosso planeta.

No protocolo de Montreal datas foram acordadas para o fim desses dois fluídos, basicamente foi acordado o fim do R-12 no ano de 2000 e do R-22 em 2030, diversos fatores foram levados em consideração, prazos foram adiantados em diversos países.

O Brasil já vivenciou o fim do R-12 com grande sucesso, sendo o parque instalado substituído por gases como o FreonMP39 e os equipamentos novos vindo com o R-134a e agora o R-600a (Isobutano).


Lembram da data de 2030, pois é, está chegando, e agora vem o nosso novo desafio que é a substituição do R-22, que será mais traumática e por consequência criteriosa que a substituição do R-12, pelo motivo que os equipamentos são muito mais caros que os equipamentos de R-12, as instalações mais complexas e as paradas envolvem a parada de produção, seja das fábricas ou comércios envolvidos. A data de 2030 é uma meta e o governo virá até lá diminuindo as cotas de importação do R-22, ano a ano, o que tornara esse fluído a cada dia mais escasso no mercado.

O mercado caminhará basicamente em duas direções: sendo a primeira direção para equipamentos novos, onde se adota nesse momento em equipamentos de refrigeração comercial de pequeno porte o R-134a e agora o R-290 (Propano), isso em equipamentos com até 500 gramas de fluídos, basicamente pequenos expositores e geladeiras comerciais.

Para equipamentos de maior porte se adota o R-404A (Freon404A), trabalhando bem em aplicações de baixa e média temperatura de evaporação, já em ar condicionado nesse momento o fluído utilizado no país é o R-410A (Freon410A), tanto o R-404A como o R-410A trabalham com pressões superiores ao R-22 o que deve ser levado em conta nos projetos de novos equipamentos, no entanto esses mesmos fluídos permitem o uso de óleo sintético em seus compressores o que traz como benefício instantâneo a possibilidade de se trabalhar com temperaturas mais altas de descarga, trazendo com isso uma alternativa a novos projetos ou ainda a possibilidade de aumento da vida útil do equipamento.

O R410A tem sido substituídos em alguns países pelo R32, já o R-404A é consenso no meio dos engenheiros de projetos que será substituído a médio prazo, só não se sabe ainda por qual fluído, seu índice GWP é muito alto. Em instalações de médio porte, onde o R-22 reinava se notou uma corrida por alternativas, seja o R-404 A, seja sistemas em cascata, combinando o R-134 com o CO2, o R-134 a confinado a sala de máquinas e resfriando um líquido (glicol geralmente) para a refrigeração final dos expositores, e até a volta da amônia, mesmo com todas restrições que essa aplicação exige, passando até pela obrigatoriedade de se ter uma brigada de incêndio dentro da empresa.

O que se nota é que a fabricação de produtos novos, sejam de pequenos, médio ou grande porte, sejam de refrigeração ou climatização não terão um fluído quase único como foi no passado, o que é uma boa notícia aos fabricantes, engenheiros e técnicos que poderão sempre exercer sua criatividade em novas soluções de economia e performance de produtos.

A pergunta que fica é o que fazer com o parque instalado em R-22, não se pode chegar a um supermercado ou frigorífico, por exemplo e dizer não temos mais R-22 e o cliente deverá trocar todos equipamentos, o mesmo vale para instalações de ar condicionado, sendo assim surgem oportunidade para fabricantes de fluídos refrigerantes venderem seus produtos respeitando alguns critérios como: não se trabalhar com pressões muito diferentes as do projeto original, usar o mesmo óleo lubrificante sempre que possível, não se alterar a regulagem ou medidas dos elementos de expansão, tornando a operação da troca do fluído o menos custosa ao cliente e corpo técnico envolvido, fluídos como o Freon MO99 (R-438 A) preservam essas características, e tornam a substituição do R-22 um processo econômico e de complexidade baixa, no entanto fatores como o regime de operação, temperatura de evaporação e de condensação devem ser levadas em consideração, não teremos uma única solução de retrofit ao R-22 e cada caso deve ser analisado, o que é muito tranquilo pois os fabricantes desses fluídos possuem um canal de suporte técnico, como é o caso da Chemours entre outros fabricantes.


Para finalizar sempre reforço que o fluído refrigerante é parte vital do funcionamento em um sistema de refrigeração, todo trabalho de retrofit se perde na utilização de um fluído não homologado pela ASHRAE, onde problemas de excessivo consumo de energia elétrica, vida útil reduzida de compressores e baixa performance são as consequências do uso de fluídos de baixa qualidade, o bom profissional deve sempre orientar seu cliente sobre essas diferenças.

Edson Girelli
Engenheiro Mecânico
CREA/PR 107380/D

Comentários

  1. MoraisResponder

    Bom dia, gostei mt deste artigo é uma luta q vamos ter que passar está próximo os trabalhos vão ser pesado e a conscientização vai ser mais deficil principalmente condo se trata de valores para o cliente.

  2. Evaniu do NascimentoResponder

    Séria bom fazer palestra e treinamento

  3. Evaniu do NascimentoResponder

    Gostaria de fazer treinamento e parte de palestra

  4. edenilsonResponder

    Seria muito bom treinamento e mais detalhes pra podemos trabalhar